Neste artigo, você vai saber quando usar a próclise, mesóclise e ênclise. Além disso, vai poder ler alguns exemplos para entender ainda mais sobre esse assunto. E você que gosta dos conteúdos do site Gramática da língua portuguesa, conheça também os livros de seu autor. É só clicar aqui.
O que significa “colocação pronominal”?
O pronome oblíquo átono pode ser colocado antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois do verbo (ênclise). A esse fenômeno linguístico chamamos “colocação pronominal”.
Quando usar a próclise?
- Termos com sentido negativo atraem o pronome:
Não o julgo pelo que ele fez.
Nunca a julguei pelo que ela fez.
- Pronomes relativos atraem o pronome:
Por que continuar convivendo com ele, que lhes faz tanto mal?
- Conjunções subordinativas atraem o pronome:
Cristina não reclamou, embora lhe doessem os sapatos.
Sempre me considerei afortunado
OU
Sempre, considerei-me afortunado.
- Os pronomes indefinidos atraem o pronome:
Tudo nos comove.
- As conjunções coordenativas alternativas “ou…ou”, “ora… ora”, “quer…quer” atraem o pronome:
Ou você se apaixona ou se isola.
- Em orações optativas (aquelas que expressam desejo), o pronome vem antes do verbo:
Os anos lhe sejam benéficos!
- As expressões exclamativas atraem o pronome:
Como te amei!
- Os pronomes interrogativos atraem o pronome oblíquo átono:
Quem se importa?
Quando nos dirá?
- O pronome vem antes de gerúndio precedido da expressão “em”:
Em se tratando de Marcos, tudo é possível.
Quando usar a mesóclise?
Usamos a mesóclise quando o verbo está conjugado no futuro do presente ou no futuro do pretérito, desde que não haja termo anterior que atraia o pronome:
Amar-se-á como nunca amou ninguém.
Amar-se-ia se acreditasse em si mesmo.
Dir-lhe-ei toda a verdade.
A verdade? Di-la-ia se pudesse.
Dar-nos-emos um grande presente.
Dar-vos-ia um grande presente.
Mas se houver um termo que atraia o pronome, fica assim:
Amanhã lhe direi toda a verdade.
Quando usar a ênclise?
- Após verbo no início do período, desde que o verbo não esteja no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
Disse-lhe que não podia continuar com aquilo.
- Em orações reduzidas de gerúndio, se não houver termo anterior que atraia o pronome:
Ela ria de mim, olhando-me com perversidade.
- Após verbo no imperativo afirmativo:
Compre-me o sapato mais barato.
- Depois de infinitivo não flexionado precedido da preposição “a”, se o pronome funcionar como objeto direto:
Chegou a ofendê-la.
Colocação pronominal e as locuções verbais
O pronome pode ser colocado antes ou depois da locução verbal, já que segue as mesmas regras de uso da próclise e da ênclise:
Jamais o tinha mencionado.
Estava amando-a muitíssimo.
E pode também ocorrer a mesóclise, caso o verbo auxiliar esteja no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
Ter-me-ia feito de bobo se você não impedisse.
No entanto, o pronome nunca pode aparecer depois de um verbo no particípio:
Haviam considerado–o morto. [INCORRETO!]
Nesse caso, já que não há termo anterior que atraia o pronome, a melhor opção é colocar esse pronome após o verbo auxiliar:
Haviam-no considerado morto.
Aliás, a tendência no Brasil é colocar o pronome no meio da locução verbal, independentemente das regras de colocação:
Não soube como ele tinha se comportado até me contarem.
OU
Não soube como ele tinha-se comportado até me contarem.
Por fim, é preciso mencionar que, se houver termo anterior que atraia o pronome, o uso da próclise ou da ênclise é facultativo:
Não me deixou de visitar.
OU
Não deixou de visitar-me.
A colocação pronominal no português brasileiro
Apesar de as regras da gramática normativa valerem tanto para Portugal quanto para o Brasil, há diferenças na prática. Enquanto os portugueses parecem apreciar a ênclise, nós brasileiros somos fãs da próclise. Portanto, há uma tendência no português brasileiro de usar a próclise, mesmo que isso contrarie regras gramaticais.
Isso pode ser observado na fala e também em textos jornalísticos e literários contemporâneos. Em conteúdo para internet, como este texto que você está lendo, também há preferência pela próclise. Afinal, a ênclise, no Brasil, tem um caráter não só excessivamente formal, mas também pedante. Já a mesóclise, está totalmente em desuso.
Agora que você já sabe o que é a colocação pronominal, que tal ler um livro? É só comprar a obra Somos bruxas e descobrir se você também é uma bruxa.
Leia também este livro: Au revoir, Carolina.
Referências
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.
Este artigo foi escrito por: Warley Matias de Souza.
